"Toda grande espiritualidade está ligada aos movimentos históricos de sua época" Gustavo Gutiérrez

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Que Temos Para Jantar





A revista americana Newsweek, trouxe em edição recente, uma interessante matéria intitulada I Can’t Think, ou seja: “Eu Não Posso Pensar”. A matéria aborda aquilo que, a meu ver, ainda é assunto subterrâneo em meio a eufórica multiplicidade de recursos cada vez mais avançados de comunicação: o que fazer com esse excesso de informação que nos bombardeia (e muitas vezes nos vence e nos cativa) todos os dias?

A matéria diz o quanto este excesso de informação dificulta não apenas nossa capacidade de reflexão, mas também compromete sobretudo nossa capacidade de tomar decisões. O que a matéria chama de Twitterização de nossa cultura, é simultaneamente nosso trunfo e nosso limbo, no cume do monte em que chegamos, nos projetamos para o vale, o tombo da montanha sem cor. O excesso de informação também compromete nossa capacidade de se relacionar com a informação, pois toda informação é distanciada na medida em que é imediatamente substituída, ruída, declinada para o descartável. Por extensã
o, não nos relaci
onamos, num mundo em que tudo é fugaz, rápido e passageiro, como as notícias do Twitter que acompanhamos. Como dividir o mundo entre a audiência da morte de Amy Winehouse e o massacre de jovens acampados em uma ilha na Noruega.

As redes sociais se sucedem, mas os relacionamentos em sociedade são cada vez mais individuais, indivíduos, cada vez mais ocupados, invisíveis e ausentes. Uma ausência que é para o outro e também ausente de si mesmo. Trabalhos invadem os lugares de descanso, e assim “somos” enquan
to “fazemos”, e vamos sendo moldados gradativamente para o novo, pois nos “tornamos” naquilo que “temos”.Nosso grau de conhecimento é cada vez mais medido pela capacidade de dominar as novidades que nos são oferecidas, nossa credibilidade, e termômetro de nossa afirmação, é cada vez mais medido pelos nossos seguidores e comentaristas, curtidores e convites. Mente ocupada, obstruída para a reflexão necess
ária, patinando na superficialidade do tudo, nadando na profundidade do nada.

Mas este artigo não é sobre como lidamos com a informação e os recursos hiperdinâmicos da tecnologia e das redes que nos envolvem, porque, evidentemente, isso não pode conter um mal em si mesmo. Por isso, este artigo é sobre como deixamos que tudo isso nos molde, se cada novidade é um avanço e uma vitória, ou um retrocesso e uma derrota, imperceptí
vel talvez, porque deveria ser medida por outros referenciais.

“Porque de quem alguém é vencido, do tal se faz também servo.”
2Pedro 2:

Ronilso Pacheco.